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Entrevista com Valter Assunção - Publicada pela Revista Economia S/A em Outubro/Novembro de 2011


Por Fernanda Rangel

ECONOMIA S/A foi atrás de respostas para ajudar profissionais que passam a ocupar cargo de liderança eprecisam saber o que devem aprimorar a partir domomento que têm a responsabilidade de guiar equipes rumo a metas – e principalmente a bons resultados.



Dentro do universo corporativo a expressão Liderança parece ter virado epidemia. Principalmente a partir da década de 90, o conceito recebeu status que mereceu atenção extra dos gestores de recursos humanos. E havia uma lógica para isto. Ao mesmo tempo em que as organizações passavam por etapa de profissionalização da gestão, com o advento de série certificações de qualidade ligadas à produção e à administração, os profissionais tiveram que se enquadrar ao momento no qual suas funções receberam rótulos ainda mais específicos e as equipes precisavam ter referência de comando. Hoje, há uma consolidação do termo. Mais: ser líder no ambiente corporativo é motivo de orgulho, já que equivale a ser competente, ou melhor, ocupar posto de liderança é sinônimo de colecionar uma série de competências. Mas – diferente do que se imagina não são poucos aqueles que ao alcançar o status da liderança se deparam com uma pergunta: e agora, o que preciso fazer? Economia S/A resolveu ir buscar a resposta para esta questão com o objetivo de auxiliar aqueles que estão com a responsabilidade de comandar equipes ou até mesmo empresários que presidem uma empresa inteira. Procuramos saber o que eles precisam aprimorar em suas habilidades nas relações de trabalho para alcançar o sucesso perante aos liderados. Em primeiro lugar é preciso entender que liderar vai muito além da busca incessante por resultados. Para os especialistas, o líder precisa ter muita habilidade no trato com as pessoas. Tanto é verdade que até mesmo a nomenclatura RH – Recursos Humanos também passou por mudanças e hoje o que se fala dentro das empresas é que há uma área para a Gestão de Pessoas. Tendo isto em mente, o caminho começa a ser pavimentado para que ele entenda que produtividade, números e, claro, lucratividade nos negócios dependem demasiadamente da capacidade de se relacionar bem com as pessoas "Até o início da década de 90, o que se via era uma liderança muito paternalista, autoritária e até amadora. Perfil que não cabe mais no novo cenário, principalmente na última década. Liderança é ter maior atenção à gestão das pessoas para guiá - las rumo ao resultado. Uma pressão desgovernada com foco apenas no resultado, sem um relacionamento afiado com sua equipe, é um atalho para o fracasso", acentua Valter Assunção, diretor da NVH Treinamentos, braço do Grupo NVH (Nova Visão Humano), que reúne empresas de serviços, seleção e promoção com foco em gestão de pessoas e tem como presidente sua esposa Helena Gonçalves.

Valter Assunção, aliás, se especializou no tema liderança. Passou 20 anos por departamentos ligados ao gerenciamento dos funcionários e sentiu de perto toda esta evolução na questão de como o profissional é visto na empresa. Foi da época em que havia a expressão Departamento Pessoal. Passou pela onda do RH e viu o rótulo Gestão de Pessoas se sobrepor a todos os outros. No período imediatamente anterior ao de aceitar assumir o cargo de diretor da NVH Treinamentos, ficou seis anos como gestor de recursos humanos da gigante multinacional Sherwin-Willians. Amadureceu a ideia de que ainda não havia uma formação profissional adequada que complementasse a acadêmica, principalmente para direcionar líderes.

Há cinco anos decidiu montar dentro da NVH Treinamento a Escola de Líderes. E a metodologia aplicada por ele ajuda a criar espécie de lista de pré-requisitos para que o líder seja bem sucedido. "É importante dizer também que há lideranças em vários níveis da organização. O que se pode é dar uma panorâmica e elencar fatores que são fundamentais para bons líderes, independente de ser no chão da fábrica ou na diretoria da companhia", explica o executivo.

Na prática – Assim que o profissional é colocado em posto de liderança, ele precisa conhecer sua equipe. Isto vai muito além de saber nome e sobrenome de cada um dos profissionais que terá de comandar. "A missão é estreitar os laços a ponto de saber a situação de cada um no âmbito pessoal, formação cultural e necessidades para realizar o trabalho de forma satisfatória", acentua Valter Assunção. Feito o reconhecimento de área e a aproximação com todos da equipe, o líder precisa aprender a dar e receber feedback. E mais uma vez há alguns vícios trazidos por líderes mais antigos de que isto se trata apenas de cobrar resultados. Erro fatal. "Dar e receber feedback é entender o que pode estar atrapalhando seu liderado a não alcançar o resultado desejado. E deve ajudá-lo a resolver sozinho a situação. É preciso saber ouvir e direcionar a solução", avalia Valter Assunção, ao citar o caso de colaborador que passa a ter problemas rotineiros de atraso, o líder deve chamá-lo e ouvir os motivos que justificam os fatos. O importante é que o funcionário perceba e o líder também demonstre o que é possível fazer para melhorar. O erro mais comum do líder é ser autoritário e não oferecer uma segunda chance se não houver melhora no comportamento, destaca Assunção. Outra postura positiva do líder é saber trabalhar de forma diferente de acordo com cada situação. Para o executivo, existem horas em que é preciso ser enérgico, em outras motivar, e também reconhecer sua equipe por objetivos alcançados. Exemplos citados por Assunção do modelo ideal deste líder, também conhecido como situacional, são os técnicos do vôlei, Bernardinho e José Roberto Guimarães, e Muricy Ramalho no futebol. "Os dois primeiros aplicam a liderança situacional de forma consciente. Já o Muricy Ramalho atua de forma instintiva. Mas os três conseguem tirar o máximo de seus liderados", acredita. Além disto, explica que o líder que coloca em mente que deve ser severo em todos os momentos pode até conseguir resultado inicial positivo, mas com o tempo passa a ser mal visto e desmotiva toda a equipe. Os aspectos que devem ser analisados com muito cuidado na escolha do líder – para complementar o que já foi frisado por Assunção – são: a assertividade na comunicação, avaliação de desempenho periódica e realizar boas entrevistas antes de decidir pela contratação. "Ser assertivo na comunicação é saber falar não, colocar limites e não ter medo de perguntar. Avaliar a equipe é importante para reforçar as habilidades de cada um, mas é preciso ter em mente que nem sempre os bons profissionais na execução podem vir a ser bons líderes. E as entrevistas de seleção de profissionais precisam ser menos óbvias para evitar respostas prontas e sempre, aparentemente, positivas", resume o diretor da NVH Treinamentos.

Reforço – Algumas novas ferramentas para a formação dos profissionais passam a ser reforço para quem está no posto de liderança com o intuito de conhecer sua equipe, além de ser forma de manter a qualificação profissional longe da mesmice. No modelo da Escola de Líderes da NVH estão atividades lúdicas entre as exposições teóricas, como a composição de paródias utilizando elementos do dia a dia da empresa, o que representa uma forma de ajudar os futuros líderes a absorver os conceitos de liderança. "O curso não é ministrado em um único dia apenas. São 5 módulos divididos em cinco dias distintos com intervalos de pelo menos 15 dias entre eles. Assim, o líder sai daqui e leva a lição de casa para aplicar com sua equipe. Traz novos cenários e discutimos novamente", revela Valter Assunção.

Fonte: Administradores.com.br
Link: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/lider-e-agora/60958/
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